No Rio de Janeiro, num bairro simples, uma mãe sempre ansiosa acompanha os passos do filho. O dia do Marcelo começa cedo. Antes das seis da manhã ele já está de pé para ir para escola e essa autonomia, esse direito de ir pra escola  sozinho sem preocupar tanto a mãe, foi conquistado graças à tecnologia.

A primeira caminhada do dia ainda é no escuro. São quase 20 minutos até a estação de trem. É perto, mas, em casa, a mamãe Mônica Mendonça já está com o celular na mão, teclando a primeira mensagem do dia.

Marcelo tem 19 anos e é um garoto muito esperto. O que faz a mãe controlar tanto a ida para escola é porque ele é surdo e tem dificuldade para se comunicar com quem não entende a língua de sinais. Quer dizer, tinha…

Marcelo fez um implante em um dos ouvidos que faz com que ele consiga registar alguns sons. O celular ajuda nessa conexão com o mundo.

Pouco mais de uma hora e meia, depois de ter saído de casa, Marcelo chega à escola. Para a garotada da escola o acesso à internet e às redes sociais ajudou a reduzir o preconceito e a exclusão. Antes só era possível conversar por leitura labial, mímica ou o domínio da língua brasileira de sinais que poucos têm no país. A era digital abriu novas possibilidades de contato e o mundo para eles ficou um lugar bem mais interessante.

Estar conectado é poder decifrar uma realidade sem sons, que fala através das imagens.

 

Fonte e Crédito foto: Globo Repórter