Uso de aplicativos como o WhatsApp faz parte da rotina de corretores de imóveis. Em Passo Fundo, empreendimentos já começam a ser vendidos por meio do aplicativo.

A corretora de imóveis Márcia Poletto usa o smartphone para o contato com os clientes de imóveis

Desde que começou a trabalhar como corretora de imóveis, há cerca de três anos, a dinâmica de trabalho de Márcia vem passando por transformações. A corretora, que não abria mão da conversa por telefone e do olho no olho, viu a rotina de vendas mudar nos últimos meses, quando o contato com os clientes ganhou um novo mediador e uma dinâmica própria: o smartphone e a possibilidade de fechar negócios por um aplicativo.

Só no ano passado, Márcia Poletto, corretora da Master Imóveis, em Passo Fundo, vendeu três apartamentos via WhatsApp. Toda a negociação se deu por meio do aplicativo: desde o envio de fotos e vídeos e de informações sobre documentações, valores e condições, até o agendamento de visitas aos empreendimentos e o retorno dos clientes sobre os imóveis. Ela conta que o contato pessoal nestes negócios ficou restrito à visita ao imóvel e à concretização do contrato. “São pessoas que não têm muito tempo, que muitas vezes também estão trabalhando e que não podem abrir o e-mail ou receber uma ligação. Então, o WhatsApp tem funcionado muito bem”, afirma.

O responsável por essa nova dinâmica é, segundo a corretora, o próprio cliente. “Muitos deles nos pedem para repassar as informações pelo Whats”, conta. “Em outros casos, em que percebo que o cliente está resistente em outras formas de contato, também peço se posso lhe enviar informações pelo aplicativo. Por ali, então, o cliente vai conversar no ritmo dele. É uma ferramenta que se tornou muito boa para o vendedor”, complementa.

Mesmo parecendo simples, Márcia alerta que, quando se fala em vendas, a comunicação pelo aplicativo se torna mais complexa. “Escrevo, releio, cuido as frases que vou usar. Mais importante no WhatsApp é você ter uma simpatia e dar um retorno para o cliente. Sempre temos que responder muito rápido e acompanhar o ritmo que o aplicativo exige”.

Tecnologia a favor do mercado

Atuando no ramo imobiliário há cerca de 40 anos, o advogado e empresário Carlos Alceu Machado viu esse segmento de mercado passar por uma transformação ao longo das décadas. Para o diretor da Master Imóveis, a revolução tecnológica afeta diretamente o setor, que hoje está se direcionando aos meios digitais. “Hoje, o nosso site é muito mais acessado. Então, a tendência é focar no meio digital e alavancar dali informações que são relevantes para os nossos interesses”, avalia.

Conforme Carlos Alceu, na mesma velocidade em que se estabelecem novas formas de comunicação, também surge a necessidade de atualização dos profissionais. “Na medida em que esse mercado cresce, as pessoas têm que estudar os mecanismos que permitem o acesso a esse público digital. Então, os cursos e as atualizações devem ser permanentes, mesmo porque hoje nós temos o WhatsApp, mas não sabemos o que teremos daqui a cinco anos”, entende.

Para Alexandre de Mattos, diretor da Relevance Marketing Digital, empresa especialista nesse segmento, a dinâmica de negócios vivenciada pelo mercado de imóveis é a mesma que se observa em todos os demais segmentos e é motivada por um novo tipo de consumidor, que está o tempo todo conectado. “A comunicação mediada por plataformas digitais mudou a relação empresa – cliente. É importante que as empresas estejam atentas e acompanhem essas tendências, aproveitando ao máximo o potencial dessas novas ferramentas de comunicação. É preciso ir para onde o cliente está”, avalia.

Os números comprovam a necessidade de as empresas investirem na comunicação digital. “Hoje o tempo médio de permanência dos brasileiros nas redes sociais ultrapassa três horas diárias; 39% dos usuários da internet já preferem o acesso pelo celular e cerca de 40% das pessoas consultam o celular a cada 10 minutos”, complementa, alertando que o uso das redes sociais nos negócios requer alguns cuidados. “Em meio a essa ansiedade de se comunicar com o cliente, é importante ter a cautela para não ser invasivo. Por isso, é interessante pedir sempre ao cliente se ele gostaria de estar recebendo mensagens pelas redes sociais. Também é elegante respeitar o horário comercial e buscar dar um retorno o mais breve possível”, indica.